16 de junho de 2014

Veja o trailer de Birdman, o novo filme de Alejandro González Iñárritu

Foi divulgado o trailer de Birdman, o novo filme do mexicano Alejandro González Iñárritu, diretor de filmes como Amores Brutos, Babel e Biutiful.

No filme, protagonizado por Michael Keaton, Emma Stone, Edward Norton e Zach Galifianakis, seguimos um antigo ator que uma vez interpretou o papel de um super-herói e que procura agora revitalizar a sua carreira através de uma encenação teatral na Broadway.

Escrito por Inarritu, numa colaboração com Nicolas Giacobone, Alexander Dinelaris e Armando Bo (que recentemente estreou na direção com O Último Elvis), Birdman chega aos cinemas em outubro de 2014.

10 de junho de 2014

Oliver Stone prepara filme sobre o caso Edward Snowden

O polêmico diretor Oliver Stone, em parceria com Moritz Borman, adquiriu os direitos de adaptação ao cinema de The Snowden Files, The Inside Story of the World's Most Wanted Man, uma obra do jornalista Luke Harding.

Stone vai escrever o roteiro e dirigir o filme, que vai centrar nos eventos relatados por Harding em torno da publicação dos artigos pelo The Guardian que se baseavam em documentos secretos cedidos por Edward Snowden.

"Esta é uma das maiores histórias do nosso tempo. Um verdadeiro desafio. Estou contente por ter o The Guardian trabalhando connosco", afirmou Stone, que prevê começar as filmagens ainda este ano.

Este é apenas um dos projetos que atualmente estão em desenvolvimento em torno do antigo agente da Agência Nacional de Segurança (NSA). A Sony Pictures Entertainment, por exemplo, adquiriu os direitos de adaptação ao cinema de Sem Lugar Para Se Esconder - Edward Snowden, A Nsa e A Espionagem do Governo Americano, um livro de Glenn Greenwald, cujas reportagens em volta dos segredos da NSA valeram-lhe o Prêmio Pulitzer para o jornal The Guardian.

Com a produção dos responsáveis pela saga James Bond, Michael G. Wilson e Barbara Broccoli, o filme irá focar-se no envolvimento do jornalista com Snowden e na forma como divulgaram inúmeras histórias sobre métodos dos serviços secretos e as suas operações, sendo assim um trabalho pessoal em termos de narrativa, mas também muito abrangente pelos temas que aborda.

Nenhuma data foi divulgada para o início da produção deste projeto.

Resenha do Filme: Além das Montanhas

Por Eripetson Lucena

O cinema Romeno é inebriante. O que os realizadores daquele país estão fazendo revisitando seu passado recente, numa autocrítica pungente e as vezes bem humorada dos idos tempos do comunismo, é algo de fascinante. Leia-se “A Leste de Bucareste”, “Tales from the golden age” “Policia: adjetivo” dentre muitos, muitos outros. Cristian Mungiu tem um papel importante nesta consolidação: o seu “4 meses, 3 Semanas e 2 Dias” tomou o Festival de Cannes de assalto em 2007, sendo uma unanimidade pouco vista nas edições daquele conceituado Festival.

“4 meses...” é uma brilhante fábula que se passa na Bucareste dos anos 80, quando uma jovem, auxiliada por uma amiga resolve submeter-se a um aborto, quando isso, no regime casca grossa do comunista Ceausescu era punido com morte. A critica ao regime não é cega, tão pouco infundada. Os cineastas Romenos, a exemplo de Mungiu, concentram-se nas sutilezas, nos episódios corriqueiros, no cotidiano para versar sobre a brutalidade do comunismo naquela nação. E para isso, eles lançam mão até mesmo do humor. E acreditem, tudo é brilhantismo!

Mungiu retorna com este “Beyond The Hills”, uma critica ferrenha a irracionalidade da Igreja ortodoxa, na Romênia contemporânea. Relações femininas são mais uma vez retratadas, com o tratamento habitual do diretor, câmera estática, imagens escuras (incomodas as vezes, mas justificáveis para adensar o clima sombrio e medieval de um monastério), o não uso de trilha sonora, os diálogos longos e elucidativos, sem muitas concessões ao expectador, ou seja, a linguagem utilizada não serve para facilitar a vida de ninguém e deixa em aberto reentrâncias várias que permitem elaborações variadas e até conflitantes.

O filme conta a história de uma freira que tem uma amiga residente na Alemanha que está enfrentando problemas pessoais. A religiosa convence seus superiores a receber a amiga, estranha para eles, no convento, para que possa ser ajudada pela amiga e pelo suposto espírito pacificador do local. Só que a moça altera de uma forma tão drástica a rotina asceta do local que a hipótese de possessão demoníaca começa a ser considerada pelas religiosas. O que se segue é uma crescente no terror estabelecido no monastério e na irracionalidade que se instala a partir da exibição de sintomas claros de histeria.

Mesmo sem ser uma critica política, como o seu filme anterior, “Beyond the Hills" converte-se em um drama psicológico de primeiríssima linha, sombrio, e incomodo. O que eu acho mais fascinante no roteiros dos filmes Romenos é a ausência de maniqueísmos baratos, usados de forma tão rasteira em tantas produções para angariar prosélitos. Aqui, ninguém é vitimizado ou tiranizado a ponto de não ficarmos estranhamente perturbados em discernir as ações, reações, ou culpabilizações. Se as freiras são engessadas em uma mentalidade religiosa medieval, baseada no cíclico do pecado/terror/culpa/paranoia (nada muito diferente da estrutura neurotizante das igrejas contemporâneas) fomentado pela madre e por um padre ultraconservador, a personagem Alina é extremamente perturbada e apresenta distúrbios psicológicos e frustrações evidenciadas logo nas primeiras tomadas do longa. Ou seja, o diretor mantém um distanciamento tão salutar das principais questões que aborda, que ele se isenta totalmente de julgamentos, quase não deixando ao espectador a opção de julgar ninguém no longa, sejam as freiras, seja Alina.

Qualidade rara no cinema contemporâneo. Há inúmeras outras questões trazidas a reboque nesta história de Mungiu, como por exemplo a tensão sexual existente entre as duas amigas, a natureza do trabalho que as duas iriam fazer na Alemanha, dentre outras. Tudo isso fica a cargo do expectador de perceber e, se quiser, de julgar. Mais um exemplo de imensa maturidade de Mungiu e do extraordinário cinema Romeno. Enquanto isso, nós estamos cá, produzindo “De Pernas Pro Ar 16”, uma notável contribuição, dentre tantas outras, do Brasil ao cinema imbecilizante e descerebrado.

29 de maio de 2014

Irmãos Coen vão trabalhar com Steven Spielberg em projeto sobre a Guerra Fria

Joel e Ethan Coen vão escrever o roteiro de um projeto de Steven Spielberg sobre a Guerra Fria. Ainda sem nome, o filme conta uma história verídica e terá Tom Hanks como James Donovan, um advogado que é contratado pela CIA para negociar a libertação de um piloto capturado na União Soviética.

Lembramos que esta será a quarta vez que Spielberg e o ator vão trabalhar juntos, isto depois de O Resgate do Soldado Ryan, Prenda-me se For Capaz e Terminal. Hanks trabalhou igualmente com os Coen em 2004 no filme Matadores de Velhinhas.

La Jaula de Oro domina prêmios do cinema Mexicano

La Jaula de Oro, um filme de Diego Quemada-Díez sobre a emigração clandestina, venceu dez prêmios na 56ª edição dos prêmios Ariel, a principal premiação de cinema no México e que é organizada pela Academia Mexicana de Artes e Ciências Cinematográficas.

O filme, que acompanha três jovens numa perigosa caminhada até aos EUA, venceu alguns dos principais prêmios, como os de Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Roteiro e Melhor Fotografia.

Já no que toca ao Melhor Diretor, o prêmio foi entregue a Amat Escalante pelo seu poderoso retrato dos cartéis de narcotráfico em Heli.

Uma última nota para o triunfo de Gloria na categoria de Melhor Filme Iberoamericano, e do prêmio atribuído à veterana Adriana Roel (Melhor Atriz) pelo seu desempenho em No quiero dormir sola, de Natalia Beristáin.

26 de maio de 2014

Resenha do Filme: Tatuagem

Por Eripetson Lucena

O cinema Novo escancarou uma estética caótica, mas de extrema sofisticação imagética e de texto ainda que, de certa forma datada por conta de um provável (mas necessário, em minha opinião) ranço que o vinculara politico-ideologicamente as filosofias de extrema esquerda que permeavam o mundo nas décadas de 50 e 60. Isso, antes de diminuir as obras, demonstrava uma grandiosa consonância de cineastas como Glauber Rocha com as questões de seu próprio tempo e confirmavam uma relevância estupenda de seus filmes.

Este preambulo objetiva vincular o imaginário que permeia o filme de estreia do pernambucano Hilton Lacerda “Tatuagem” ao indefectível legado de Rocha e do cinema novo. Lacerda, responsável pelos roteiros dos filmes de Claudio Assis (outro cineasta que mapeou Pernambuco na vanguarda da produção de um cinema de novos direcionamentos de temas e de estéticas no Brasil) aventura-se destemidamente por construir uma obra ousadíssima em cima dos ombros de gigantes. O filme só não se mostra assombrosamente original e estonteantemente inebriante por que já vimos a acidez, a ousadia e a destreza da pena de Lacerda nos filmes de Assis, especialmente em “Febre do Rato” onde o texto, altamente subversivo e anárquico, casa-se de forma magistral com o apuro das belíssimas imagens em branco-e-preto de uma Recife decadente, pútrida, mas cheia de poesia. Um delírio visual que choca como poucos.

O roteiro é tão acertado que cada metáfora para contar uma história de amor marginal e improvável funciona com uma precisão de relógio suíço. A companhia teatral, material subversivo perfeito devido ao enfrentamento com a ditadura castrante da época, a atração irresistível entre um homossexual e um soldado, improvável amalgama de dois universos dispares e conflitantes, as teses de liberdade e liberação, que vem a reboque naturalmente na trama, sem que seja necessário explorar em demasia as agruras sofridas por mambembes como os retratados no filme, fazendo com que a obra, talvez derrapasse em um didatismo incomodo e desnecessário, já que o direcionamento da narrativa sempre foi o descortinar de um relacionamento amoroso. Tudo isso, sem o peso habitual colocado como teses radicalíssimas de rupturas com o social, destiladas a exaustão ao longo de “Febre de Rato”. Entretanto, a ode ao caos e a anarquia também estão presentes em “Tatuagem”. Aqui, no entanto, o elemento revolucionário máximo reside na liberação das ideias e dos ideias, que ganha fisicalidades de forma brilhante em traços da anatomia humana, conforme cantada pela trupe em momentos pontuais do filme. Talvez esta referencia ao alardeado anus seja o miolo balburdico da tese de Lacerda e traga em sí, toda a virulência de materiais como este.

Ou seja: difícil ver no cinema nacional materiais onde tudo funcione de forma tão harmônica. Da música que serve a trama de forma a endossar seus desdobramentos (que sequencia linda e estupenda quando o sensual Clécio canta “Esse cara” do Cazuza, num momento sintomático onde a trama irá tomar seus rumos definitivos), a fotografia, ao roteiro magnifico, as interpretações acertadíssimas, destaque para o estupendo Irandhir Santos, que tem incorporado estes arroubos que o magnifico cinema Pernambucano tem exalado sob a produção nacional . Parece que Lacerda consegue da um passo a frente ao belíssimo “Madame Satã” de Karim Airnouz, que, desculpem a heresia cinematográfica, diante da grandeza estética e de narrativa de “Tatuagem” parece ficar nas intenções e dever a este, mesmo ainda sendo um filme grandioso. 

Se há obras que devem ser realizadas em constante e vivo dialogo com o século XXI, mesmo sendo um olhar sob o Brasil da década de 70, “Tatuagem” se inscreve exata e brilhantemente neste registro. Recuso-me inclusive a inserir o filme dentro de um contexto de embate ou resistência. Se há guerra dentro das mentes que ainda estão imbuídas na homofobia, isso parece se localizar para além do filme. Esta fora dele. Lacerda faz uma obra para um Brasil que ainda não chegou. Dai resulta o seu brilhantismo e importância. Um dos melhores filmes feitos neste pais nos últimos anos.

Confira os vencedores do Festival de Cannes 2014

O filme Winter Sleep foi o vencedor da Palma d'Ouro no Festival de Cannes 2014. O seu diretor, o turco Nuri Bilge Ceylan, já sido duas vezes vencedor com o Grande Prêmio do Júri e uma vez na categoria de Diretor, no festival francês. 

Palma d'Ouro
Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan

Grande Prêmio do Júri
Le meraviglie, de Alice Rohrwacher

Melhor Diretor
Bennett Miller por Foxcatcher

Prêmio Especial do Júri
Adieu au language, de Jean-Luc Godard; Mommy, de Xavier Dolan

Melhor Atriz
Julianne Moore em Maps to the Stars

Melhor Ator
Timothy Spall em Mr. Turner

Melhor Roteiro
Andrey Zvyagintsev por Leviathan

Caméra d'Or
Party Girl, de Marie Barsacq, Claire Burger; Samuel Theis

Melhor Curta
Leidi, de Simon Mesa

Prêmio do Júri para Curta-Metragem
Aïssa, de Clément Trehin-Lalanne; Yes We Love, de Hallvar Witzø

Prémio do Júri Ecumênico
Timbuktu, de Abderrahmane Sissako


Quinzena dos Realizadores

Prêmio Art Cinema
Les Combattants, de Thomas Cailley

Prêmio SACD
Les Combattants, de Thomas Cailley

Prêmio Europa Cinema Label
Les Combattants, de Thomas Cailley

Prêmio Illy para Melhor Curta-Metragem
Sem Coração, de Nara Normande e Tião

Menção Especial
Trece Si Prin Perete, de Radu Jude


O filme White God, do húngaro Kornel Mundruczo, venceu o prêmio Un Certain Regard no Festival de Cannes 2014. O filme é um thriller de terror sobre um apocalipse canino. O júri foi presidido pelo diretor argentino Pablo Trapero.

Prêmio Un Certain Regard
White God, de Kornel Mundruczso

Prêmio do Júri
Force majeure, de Ruben Ostlund

Prêmio Especial do Júri
The Salt of the Earth, de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado

Melhor Elenco
Party Girl, de Marie Amachoukeli, Claire Burger e Samuel Theis

Melhor Interpretação
David Gulpilil em Charlie Country


A Federação Internacional de Críticos de Cinema (FIPRESCI) entregou os seus prêmios para as várias seções do Festival de Cannes 2014.

Competição Oficial
Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan

Un Certain Regard
Jauja, de Lisandro Alonso

Seções paralelas
Les Combattants, de Thomas Cailley


O júri da Cinéfondation e dos curtas-metragens, presidido pelo iraniano Abbas Kiarostami, entregou os seus prêmios anuais, de uma seleção de dezesseis filmes de estudantes. Além de 15 mil euros para o primeiro vencedor, este assegura ainda o direito a ter seu primeiro longa-metragem exibida no Festival de Cannes.

1 Skunk, de Annie Sivlerstein (University of Texas at Austin, EUA)

2 Oh Lucy!, de Atsuko Hirayanagi (NYU Tisch School of the Arts Asia, Singapura)

3 Lievito Madre, de Fulvio Risuleo (Centro Sperimentale di Cinematografia, Itália)

3 The Bigger Picture, de Daisy Jacobs (National Film and Television School, Reino Unido)


O filme The Tribe, do ucraniano Myroslav Slaboshpytskiy, venceu o Grande Prêmio da Semana da Crítica.

Grande Prêmio Nespresso
The Tribe, de Myroslav Slaboshpytskiy

Prêmio Visionário France 4
The Tribe, de Myroslav Slaboshpytskiy

Prêmio SACD SACD
Hope, de Boris Lojkine

Prêmio Descoberta Sony CineAlta para Melhor Curta
A Ciambra, de Jonas Carpignano

Prêmio Canal+ para Curta-metragem
Crocodile, de Gaëlle Denis

Prêmio Gan Foundation Apoio para Distribuição
The Tribe, de Myroslav Slaboshpytskiy

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