1 de março de 2014

Apostas para o Oscar 2014 - Parte 1

Por Eripetson Lucena

Melhor Filme
Há uma sombra ameaçando o favoritismo de “12 Anos de Escravidão”, mas ainda creio que a importância histórica do filme de McQueen vai se impor ante a conquista técnica de “Gravidade”. A Academia pode, no entanto surpreender e não pulverizar os prêmios principais (já que o Oscar de Direção é tido como certo para Cuarón) como aconteceu ano passado. 

Vai Ganhar: “12 Anos de Escravidão”
Pode Ganhar: “Gravidade”
Deveria Ganhar: “12 Anos de Escravidão”

Melhor Diretor
O favoritismo de Alfonso Cuarón nesta categoria parece mesmo inabalável. É mais fácil o Oscar de filme escorregar das mãos de “12 Anos de Escravidão” que “Gravidade” perder nesta categoria. A Academia vai premiar a persistência, a perícia, o aparato do diretor em elaborar uma ficção cientifica cheia de indicadores para o futuro do gênero. 

Vai Ganhar: Alfonso Cuarón (Gravidade)
Pode Ganhar: Ninguém parece de fato ameaça-lo. É ele e ele mesmo.
Deveria Ganhar: Pessoalmente, ainda prefiro o trabalho de Steve McQueen, compreendendo, entretanto a importância das pequenas revoluções de Cuarón. 

Melhor Atriz
Aqui é prego batido e ponta virada. Desde do lançamento de “Blue Jasmine” Cate Blanchet vem se mantendo favorita absoluta na categoria e vem amealhando todos os prêmios possíveis. Ela só perde se os Acadêmicos resolverem não premiar o filme de Woody Allen, imerso em controvérsias. 

Vai Ganhar: Cate Blanchet (Blue Jasmine)
Pode Ganhar: Eu diria absolutamente ninguém até as polemicas em torno de Allen virem a tona. Fora ela, somente Judi Dench (Philomena) e Amy Adams (Trapaça) parecem estar no páreo. Pessoalmente, não acredito numa derrota de Mrs. Blanchet.

Melhor Ator
Aqui a disputa é ferrenha. Só para ter uma ideia, os que ficaram de fora (Joaquin Phoenix, Robert Redford, Oscar Isaac e Tom Hanks) formariam outra linha de indicados. Ou seja, um ano bom para interpretações masculinas. Matthew McConaughey está na dianteira da disputa e o Oscar parece ser uma bela maneira de laurear um momento impressionante do ator. Atrás dele, correm Chiwetel Ejiofor e Leonardo Di Caprio.

Vai Ganhar: Matthew McConaughey (Dallas Buyers Club)
Pode Ganhar: Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão)
Deveria Ganhar: Pessoalmente, não sei desequilibrar a balança quando peso os trabalhos de McConaughey e Ejiofor. Fico feliz e triste por qualquer um dos dois que ganhar a estatueta. 

Melhor Atriz Coadjuvante
Será uma lástima ver uma interpretação formidável como a de Lupita Nyong’o ser preterida por (mais uma vez) Jennifer Lawrence. Se isso acontecer, Lawrence ganhará seu segundo Oscar “nas cochas”, em detrimento de interpretações gigantescas (vide Emanuelle Riva ano passado). Não consigo conceber um amor tão grande de Hollywood por esta pequena estrela a ponto de fechar os olhos ao alcance magistral e sublime da interpretação de Nyong’o em “12 Anos de Escravidão” e conceder-lhe dois Oscars seguidos. Digo isso por que se Lupita tivesse que perder, que perdesse para interpretações melhores que a de Lawrence como todas as outras indicadas, TODAS. Que vença não somente Lupita Nyong’o, mas o bom senso.

Vai Ganhar: Lupita Nyong’o
Pode Ganhar: Jennifer Lawrence
Deveria Ganhar: Lupita, Lupita, Lupita, Lupita, Lupita, Lupita...

Melhor Ator Coadjuvante
Dificilmente haverá surpresas nesta categoria. Jared Leto caminha confiante para vencer seu primeiro (e merecedissimo) Oscar interpretando o travesti de “Dallas Buyers Club”, trabalho que poderia ser ofuscado pela fantástica atuação de Matthew McConaughey, mas que se sustenta magnificamente e confere ao filme um valor artístico excepcional (já não bastasse ser super bem escrito e dirigido). A única sombra é o também brilhante trabalho de Michael Fassbender em “12 Anos de Escravidão” que poderia muito bem ter neste ano a compensação do absurdo de sequer ter sido indicado em “Shame” do mesmo diretor. Mas, ao que tudo indica, o Oscar será mesmo de Mr. Leto.

Vai Ganhar: Jared Leto (Dallas Buyers Club)
Pode Ganhar: Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão)
Deveria Ganhar: Jared Leto.

28 de fevereiro de 2014

Filmes para se ver no Carnaval

A equipe do Movie Club Patoense produziu uma pequena lista com filmes para serem assistidos durante o carnaval, para que todos os leitores do blog se divirtam também com a sétima arte durante o feriado.

Pequena Miss Sunshine
Indicado por Claudiano Brito

Nenhuma família é verdadeiramente normal, mas a família Hoover extrapola. O pai desenvolveu um método de auto-ajuda que é um fracasso, o filho mais velho fez voto de silêncio, o cunhado é um professor suicida e o avô foi expulso de uma casa de repouso por usar heroína. Nada funciona para o clã, até que a filha caçula, a desajeitada Olive (Abigail Breslin), é convidada para participar de um concurso de beleza para meninas pré-adolescentes. Durante três dias eles deixam todas as suas diferenças de lado e se unem para atravessar o país numa kombi amarela enferrujada.


Os Famosos e os Duendes da Morte
Indicado por Eripetson Lucena

Um garoto de 16 anos, fã de Bob Dylan, tem acesso ao restante do mundo apenas por meio da internet, enquanto vê os dias passarem em uma pequena cidade rural de colonização alemã, no sul do Brasil. Até que uma figura misteriosa o faz mergulhar em lembranças e num mundo além da realidade.


Grand Central
Indicado por Odair Almeida

Gary é um jovem que aprende rápido, sempre mudando de um trabalho para outro. Após ser contratado em uma usina nuclear, ele encontra tudo o que sempre procurou: dinheiro, uma equipe e uma família. No meio dos reatores, ele se apaixona pela mulher de um colega, e logo é ameaçado por esse amor proibido e pela constante contaminação radioativa.


Incêndios
Indicado por Raimundo Neto

Canadá. Jeanne (Mélissa Désormeaux-Poulin) e Simon (Marwan Maxim) são irmãos gêmeos e acabaram de perder a mãe, Nawal Marwan (Lubna Azabal). Eles vão ao escritório do notário Jean Lebel (Rémy Girard) para saber do testamento deixado por ela. No documento, Nawal pede que seja enterrada sem caixão, nua e de costas, sem que haja qualquer lápide em seu túmulo. Ela deixa também dois envelopes, um a ser entregue ao pai dos gêmeos e outro para o irmão deles. Apenas após a entrega de ambos é que Jeanne e Simon receberão um envelope endereçado a eles e será possível colocar uma lápide. Só que Jeanne e Simon nada sabem sobre a existência de um irmão e acreditavam que seu pai estava morto. É o início de uma jornada em busca do passado da mãe, que os leva até a Palestina.


A Garota Ideal
Indicado por Romério Moreira

Lars Lindstrom (Ryan Gosling) é um homem tímido e introvertido, que vive na garagem de seu irmão mais velho, Gus (Paul Schneider), e sua cunhada Karin (Emily Mortimer). Lars apenas acompanha o desenrolar de sua vida, sem se mexer para algo. Até que um dia ele encontra Bianca, uma missionária religiosa, através da internet. O problema é que para as pessoas Bianca não é alguém real, mas a réplica de uma mulher, feita de silicone. Só que Lars acredita piamente que ela é um ser humano, o que faz com que se torne seu apoio emocional. Preocupados, Gus e Karin decidem procurar o conselho de uma psicóloga, que recomenda que concordem com Lars enquanto ele lida com seus problemas pessoais.

"Trapaça" e "Gravidade" lideram lista de indicados ao Oscar

Por AFP

A odisseia espacial "Gravidade", do mexicano Alfonso Cuarón, e o thriller "Trapaça" dominam a corrida do Oscar, com dez indicações cada.

Em seguida, está o drama "12 anos de Escravidão", com nove indicações.

Com seis indicações cada um, entre elas a de melhor filme, estão "Capitão Phillips", "Clube de Compras Dallas" e "Nebraska".

Os filmes "Ela", "O Lobo de Wall Street" e "Philomena" completam a lista das produções que concorrem à principal categoria do Oscar.

Com três indicações, "Blue Jasmine" concorre às categorias de melhor atriz e melhor atriz coadjuvante, com Cate Blanchett e Sally Hawkins, e de melhor roteiro, para Woody Allen.

Além de estar na disputa nas categorias de melhor filme e melhor direção, "Trapaça" teve todo o seu elenco principal indicado: Christian Bale e Amy Adams, como melhores ator e atriz, e Bradley Cooper e Jennifer Lawrence, como melhores ator e atriz coadjuvantes.

"12 anos de Escravidão" também está bem na corrida, pois, além de melhor filme e melhor direção, teve reconhecidos seus principais atores: Chiwetel Ejifor, como ator principal, e Lupita Nyongo e Michael Fassbender, como coadjuvantes.

A atriz Meryl Streep novamente fez história ao ser indicada pela 18ª vez ao prêmio. Ela concorre ao de melhor atriz por sua atuação no filme "Álbum de Família". Julia Roberts disputa a estatueta de atriz coadjuvante pelo mesmo filme.

A cerimônia de entrega da 86ª edição do Oscar acontece neste domingo, dia 02 de março.

Wagner Moura será Pablo Escobar em série de José Padilha para a Netflix

José Padilha fará sua estreia no universo das séries em uma parceria com a Netflix. A série, contará com 13 episódios e vai girar em torno do traficante Pablo Escobar.

Wagner Moura fará o papel de Pablo Escobar. "O Netflix quer e acha genial ele ser o Pablo Escobar. E eu acho que o Wagner vai arrebentar como Escobar. É um ator do nível dos melhores do mundo", afirmou o diretor ao jornal Folha de São Paulo.

José Padilha ainda falou um pouco sobre o projeto: "A série vai permitir que a gente fale sobre a natureza da política antidrogas. (...) É uma história colombiana, mas também americana porque Pablo Escobar virou quem é por causa da demanda dos EUA."

A série ainda não possui previsão de lançamento.

Resenha do Filme: Diaz - Não Limpe Esse Sangue

Por Raimundo Neto

21 de Julho de 2001. Quem lembra o que aconteceu nessa data? Eu, por exemplo, tinha 10 anos na época, só queria saber de brincar. Mal sabia eu, que enquanto brincava, do outro lado do mundo acontecia essa barbaria, atrocidade, crueza, truculência, brutalidade, estupidez.

Em julho de 2001, ocorreu reuniões do G8 em Génova, na Itália. Durante toda essa temporada do G8 lá, houve inúmeros protestos, um desses protestos ocasionou a morte de um jovem. É com essa base que Lucas, um repórter de um jornal de Bolonha decide viajar para Génova, onde o impensável vai acontecer. Na escola de Diaz encontra-se o "quartel general" do Fórum Social de Génova, que coordenava muitos dos protestos, mas servia também de base para jornalistas e alguns protestantes que não tinha onde passar a noite. Às 22 horas do dia 21 a polícia inicia uma verdadeira invasão ao local, estimando-se que mais de 200 polícias tiveram envolvidos nos eventos. A partir daqui assistimos a um verdadeiro atentado aos direitos humanos, onde a polícia invade o espaço onde se encontram 93 pessoas e sem nenhuma regra, espanca a tudo e a todos, idosos, mulheres, jovens, e jornalistas incluídos.

O diretor conta esta história sob diversos pontos de vista, mas não de uma maneira focada inteiramente na visão de algumas personagens, mas visitando os bastidores e as hierarquias: quer da preparação para os protestos, quer da preparação para a ação dos policiais. Com isto o cineasta consegue uma obra incrivelmente tensa e mostra uma verdadeira descarga de ódio. Violência, tortura, brutalidade e truculência dos policiais, tudo é mostrado.

A Anistia Internacional referiu-se a esta ação como "a mais grave suspensão dos direitos democráticos num país ocidental desde a Segunda Guerra Mundial", e os tribunais, mais tarde, viriam a confirmar que houve um excessivo uso da força e que se recorreu à tortura e à falsificação de provas. Eu chorei. Mas desta vez chorei de raiva e ódio que dar vendo o filme. Aquele tipo de filme que se enquadra nos 'obrigatórios' para todos. FILMAÇO. Digo e repito, FILMAÇO.

Diaz, foi o vencedor do Prêmio do Público na seção Panorama do Festival de Berlim de 2012. No Festival de Bari, na Itália, o filme foi ovacionado por 10 minutos. Forte, inquietante, poderoso. Ele desperta nosso senso de justiça e compaixão. E nossa luta contra a impunidade.

27 de fevereiro de 2014

Resenha do Filme: 12 Anos de Escravidão

Por Eripetson Lucena

É particularmente vergonhoso o fato de que nenhum diretor americano, classe não raro perdida em meio a devaneios megalomaníacos e ufanistas, nunca tenha se incomodado em contar a história de Solomon Northup. Imagino que o apelo humanitário de uma história tão poderosa, tenha afetado um diretor inglês não apenas pelo fato dele ser negro, mas pela estupefação de imaginar um mundo (não só os Estados Unidos da América) sem um filme como “12 Years a Slave”. Pois creiam, o tema da escravidão acaba de ser redefinido na história do cinema. Faz as investidas anteriores parecerem trabalho de amadores, sem muito alcance ou verossimilhança.

O nível de dramaturgia alcançado pelo filme de McQueen é extraordinário. E o tratamento dado por ele às fortíssimas sequencias de castigo é incrivelmente digno, uma vez que suavizar temas como escravidão seria incorrer em indecência e desonestidade. O que se coloca como convenção no imaginário popular, fomentado pelos livros de história ou pelas ingênuas versões cinematográficas da escravidão na América, é contestado enquanto representação por sequencias como a que a escrava Patsey, personagem de Lupita Nyong’o é barbaramente punida. Difícil de ver e de esquecer.

O que falta a maioria dos cineastas que resolvem tratar temas polêmicos é o que sobra em McQueen: senso, tato e perícia. “Hunger” e “Shame” que o digam. Parte dessa espertice é destilada nos longos planos sequencias onde os closes e a câmera fixa nos personagens por longos minutos (vide especialmente “Hunger”) acabam se tornando recurso narrativo dos mais eficientes; em “Hunger” e em “12 Years a Slave” é como se o olho mecânico fosse a própria morte a espreita, humilhando com o olhar insistente, esperando o personagem morrer de fome ou de tortura. No caso de “12 Years…” a dor retratada pela câmera de McQueen, encrudescida pelo olhar de silencioso desespero de Chiwetel Ejiofor não parece dar trégua. Há um enquadramento em particular, onde Eijofor está em primeiro plano, em pungente estupefação e chega a olhar para a câmera, fazendo um movimento com a cabeça. Remete ao que fez Paul Thomas Anderson, na última sequencia de “Magnólia” onde a personagem de Melora Walters faz o mesmo movimento (a diferença é que, se não me engano, o plano é americano), mas sorri quando olha para a câmera. Para um filme que versa sobre sucessivas tragédias de cunho pessoal, “Magnólia” acaba, com aquele sorriso de sua personagem mais emblemática, da forma mais otimista possível.

McQueen enrijece seu Solomon na dor mais primordial, exatamente nesta sequencia, quando ele contempla você e eu e se coloca como peça da inexorável escravidão. O elenco é competentíssimo. Michael Fassbender, antigo colaborador de McQueen, laureado pelo que conseguiu alcançar no estupendo “Shame”, parece encarar um papel maior que ele mesmo. Talvez o mais desafiador de todo o filme, dado a fácil armadilha do maniqueismo. Nyong’o e Eijofor desequilibram a tríade formada com Fassbender (e ainda a sutileza da crueldade da esposa criada por Sarah Paulson, que se coloca como uma sombra velada em contrapartida à malevolência gráfica de Fassbender) com dor e sofrimento extremos. Os três serão facilmente indicados ao Oscar. Nada mais justo em um filme de grandes interpretações.

Enfim, para além do aparato técnica (a fotografia é extraordinária, belíssima), “12 Years a Slave” é um triunfo pelo seu valor quase educativo, didático, como é importante o relato biográfico de Solomon Northup, no qual o filme é baseado. Ergue-se portentoso como uma extraordinária “testemunha” numa era onde o racismo ainda operacionaliza parte das querelas relacionais de nosso tempo. Um filme colossal.

Oscar 2014 só será exibido pela TNT

A TNT será a única emissora do Brasil que exibirá o Oscar 2014 ao vivo no próximo domingo, 2 de março, a partir das 20h30. A Globo, que detém os direitos de transmissão na TV aberta (e não os cede pra ninguém), decidiu que não vai transmitir o evento, porque cai em um domingo de carnaval e a emissora preferiu transmitir os desfiles das escolas de samba, exibindo um compacto dos melhores momentos na segunda à tarde.

Ellen DeGeneres será a mestre de cerimônias. Os comentários na transmissão da TNT serão de Rubens Ewald Filho, mas haverá a opção de SAP.

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